Dez coisas que toda “mãedrasta” deveria saber

ANTES DE TER UM FILHO

10 coisas

Declarado oficialmente encerrado meu estágio probatório como mãe, considerando que a Vivi está bem grandinha, estou confortavelmente acomodada nas funções materna e “madrastal”.

Boadrasta há alguns anos, tinha uma certa preocupação sobre como as “coisas” ficariam quando eu tivesse um filho meu mesmo, gerado pelo meu corpo, não somente pelo meu coração.

Com um grande sorriso, posso dizer: está tudo bem. E mais: tive boas surpresas!

Para incentivar a procriação das madrastas e o aumento da densidade demográfica na casa das famílias-mosaico, resolvi contar pra vocês que:

1 – Da mesma forma que mãe é mãe, filho é filho. Embora o amor pelos enteados seja imenso, amor de filho é visceral, transcende. E nada de culpa por ter esse sentimento. Toda mãe (inclusive uma boadrasta) tem o direito de amar cegamente a sua cria, de sentir o peito doer por não comportar tamanho sentimento. Seu marido vai entender, assim como seus enteados.

2 – Para o bom pai, os filhos são todos iguais, não importa quem seja a mãe. Assim, não espere um tratamento diferenciado porque nasceu o filho da esposa, em detrimento dos filhos tidos em uma relação anterior. Não funciona assim, até porque a família é uma só.

3 – Da mesma forma, para os irmãos, não faz a menor diferença quem é a mãe de quem. É um amor único e bem grande, que vai te comover e te fazer tratar todos com igualdade, mesmo na diferença.

4 – Você verá o seu bebê gritar de felicidade ao receber os irmãos, em todas as idas e vindas entre a casa do pai e a casa da mãe. Você detestará a casa vazia, mesmo que o bebê durma melhor no silêncio. Pode acreditar.

5 – Mais cedo ou mais tarde, seu filho poderá vir a frequentar a casa da mãe dos seus enteados, independente do tipo de relacionamento que vocês tenham. Assim, prepare-se e mantenha a mente aberta.

6 – Tudo de melhor que você deseja oferecer para o seu filho, você desejará para os seus enteados. Você trabalhará cada vez mais para prover, dentro e fora de casa.

7 – A “madrastidade” é um treinamento avançado para que a mãe de “primeira viagem” exerça a maternidade de uma forma menos tensa e mais prazerosa. Uma febrinha não te apavora, muito menos uma recusa para comer ou um ataque de birra.

8 – Em relação à mãe dos seus enteados, vejo duas possibilidades: (I) você passa a entendê-la melhor, por constatar que ser mãe é bem difícil em alguns momentos; ou (II) você passa a ser ainda mais crítica em relação ao tipo de mãe que ela é. Mas, como cada uma de nós é a mãe que consegue ser, acalme o coração e não se envolva. Mãe é mãe e todas são sagradas.

9 – Se você já amava seus enteados, amará mais; se você já abria mão de um tempo só pra você para se dedicar a eles, abrirá mão de mais. Você passará a senti-los cada vez mais seus, afinal de contas, eles são os irmãos do seu filho.

10 – Lembra de quando você se culpava por achar que deveria ter mais paciência com os seus enteados? Quando você pensava “nossa, queria tanto um tempo só prá mim, sem obrigações” ou “eles dão trabalho demais”? Com filho é igualzinho! Maternidade e “madrastidade” são duas irmãs (filhas do mesmo pai, mas de mães diferente), que te fazem feliz e te deixam exausta.

Beijos,

Bianca.

bianca@naoeamamae.com

Instagram: @blognaoeamamae

No facebook: Blog Não é a Mamãe!

*Texto publicado no Portal Bebê, da editora Abril.

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11 Respostas para “Dez coisas que toda “mãedrasta” deveria saber”

  1. Lorena A. L.

    Olá Bianca, tenho 16 anos e achei super interessante esse post!! Mas, quem dera se todas as madrastas pensassem desse jeito, no meu caso por exemplo, tenho madrasta e desde bem pequena sofria com ela quando meu pai não estava por perto, até agressão física já sofri! Não guardo mágoas, mas também não falo e nem me aproximo mais, principalmente e infelizmente com meu pai, que no momento em que mais precisei ele não me protegeu e não acreditou em mim! Fico feliz em saber que ainda existe as “boadrastas”, como você!
    Beijo na família

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    • Bianca Spessirits

      Lorena, sinto muito pelo que você relatou.
      Espero que você e seu pai possam resgatar essa relação.
      Pai também é gente e erra muito. Eu como madrasta e como mãe erro tanto!
      Te desejo muitas felicidades e muito amor.
      Um beijo,
      Bianca.

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      • G@b!

        Infelizmente existem pessoas ruins. Isso nada tem a ver com ser madrasta ou padrasto, mãe ou pai. Tem a ver com ser uma pessoa ruim. É triste saber que existem situações desse tipo. Tenho padrasto desde os 8 anos de idade e hoje vivo um relacionamento e tenho um enteado. Amo profundamente meu enteado, morro por ele. Me preocupo quando não está conosco. Se está bem se está comendo, se se machucou, etc. Meu coração dói. Não consigo entender pessoas que entram numa relação com alguém que já tenha filhos e faz esse tipo de coisa cruel. Triste!!!

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  2. isabel

    Ola Bianca, achei por acaso esse seu blog e achei muito interessante, bom e nessa parte de mãedrasta então.. tenho uma enteada de cinco anos bom ela não quer nem saber de ter um irmão ela quer atenção so pra ela e logico a mãe sempre esta tentando sondar tudo e saber do relacionamento entre eu e meu esposo, não sei como agir nem o que fazer diante disso ja a criança amo muito ela mas ela não gosta de saber que quem esta com o pai dela não e realmente a mãe dela queria alguns conselhos seus.. adorei mesmo o que escreveu. bjos

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  3. Pepita

    Recomendo o livro “Um amor conquistado – O mito do amor materno”, de Elisabeth Badinter. Talvez, a partir dele, você possa compreender que o tal “amor materno”, supostamente indestrutível e insubstituível, é uma ilusão, e então repensar a frase em que você diz que “mãe é mãe, filho é filho … amor de filho é visceral, transcende”. Porque isso não existe. Muitas (muitas!) mães não amam seus filhos. Os abrigos de crianças e adolescentes estão aí, abarrotados, para comprovar. Por outro lado, muitas mulheres são capazes de amar, de forma visceral e transcendente, crianças que não pariram. Madrastas inclusive.

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    • Vilkaela Sousa

      Concordo plenamente! tadinha sabe nada inocente ta no país das maravilhas tem muito que aprender ainda

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  4. Pricila

    Olá, adorei o post. Amo crianças e sou louca para ser mãe (um dia). Hoje namoro e ele tem dois filhos que foram abandonados pela mãe, um príncipe de 3 anos e uma princesa de 1 ano. Porém pela princesinha ter sido abandonada muito novinha e mal ter contato com a mãe, nos vemos direto e ela está começando a me reconhecer como mãe, muitas vezes vindo no meu colo e não querer ir pro do pai. O pior é que já amo demais meus pimpolhos e me sinto mãe por todo o contato, mas o pai não quer que me reconheçam como mãe…

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  5. B.

    Uau! que texto encorajador!
    De fato ser madrasta é um treino interessante… (dolorido, chato demais às vezes… mas talvez tenha muito mais semelhanças com a maternidade do que podemos imaginar antes de ter um filho….)
    E que legal saber do estreitamento de relações após sua filha nascer… Encorajador!
    E vamo que vamo! Seguimos felizes e exaustas! rs…

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  6. Mariana

    O problema é quando você quer educar SEUS filhos de um jeito, quando seus enteados são educados de uma forma totalmente diferente ma casa da mãe e, mesmo seu marido e pai deles, concordando com seu jeito e querendo mudar também a educação dos filhos dele, para que todos tenham a mesma educação, você tem que ceder e criar diferente porque se você fizer algo que a mãe não concorde ela te ameaça de maus tratos e com um processo de agressão! Isso só porque você não tem biscoitos rechegados em casa e apenas frutas e as crianças mesmo comendo frutas só querem o tal biscoito e sua criança menor não pode comer pela idade, vê as outras duas comendo (pq se negar é um auê!) e também quer… como dizer pra SUA criança que ela não pode e as outras podem?

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  7. Hebergeur

    Quando nasce um bebe, nasce junto uma nova mulher. Temos que reconhecer, nunca mais seremos as mesmas! Tudo muda e os nossos maridos geralmente ficam perdidos em meio a tanta mudanca. Vamos entao ver a lista das 10 coisas que todos os novos pais deveriam saber antes da nova mae “chegar”.

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  8. Helô

    Excelente texto! Tenho um enteado de 9 anos e ele é vidrado em mim até ao ponto de me sufocar às vezes. Ele me chama de mãe, me respeita muito e tudo que falo pra ele é cumprido na risca… Participo ativamente da vida dele deixo de castigo, dou bronca, educo, dou atenção, carinho, etc. Ele sempre diz que nasceu da minha barriga e que a mãe biológica que é a madrasta. Hoje ele mora comigo e meu esposo e muitas vezes resiste em ir visitar a mãe… Temos uma relação ótima, mas tem horas que acho que ele me idolatra não sei até que ponto pode ser um amor desses… A vida de madrasta não é fácil, mas a gente vai driblando a ex, os impasses e vivendo… Que Deus abençoe cada uma nesse ofício!

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