Bronquiolite obliterante: o que é?

Diagnóstico e diferenciação da bronquiolite "comum"

Ilustração BO

Há quase três meses descobrimos que a Vivi tem bronquiolite obliterante (para ler sobre mais sobre como lidei com a descoberta, clique aqui).

Meu mundo caiu, chorei, quase endoidei, mas constatei que, por pior que seja o diagnóstico, tudo fica mais fácil quando se sabe contra o que estamos lutando.

Finalmente estou pronta para dividir com mais detalhes sobre a tal #BO e conto com vocês para propagarmos a informação. Tenho recebido mensagens perguntando como descobrimos a doença, qual o tratamento, o que temos feito para manter a Vitória bem…

Então, vamos lá.

Selo - blog amigo da saúdeA bronquiolite viral aguda (BVA) representa a fração mais grave das infecções respiratórias. Dentre as possíveis sequelas de uma BVA ou de uma pneumonia viral estão:

1 – Sibilâncias recorrentes (produção de ruído ao respirar, caraterístico da asma brônquica);

2 – Atelectasias crônicas (colapso de parte ou de todo o pulmão);

3 – Bronquiectasias (dilatação dos brônquios);

4 – Bronquiolite obliterante (BO).

Destas sequelas, Vivi tem: 1, 2 e 4.

A BO não é aquela bronquiolite que acomete os bebês e que consiste na infecção dos bronquíolos causada por vírus. A BO é uma doença pulmonar obstrutiva crônica rara, grave e sem tratamento. Apesar da gravidade, a tendência é a melhora progressiva, porém lenta, e alguns pacientes podem se tornar assintomáticos (claro que acredito que nossa Vivi será uma assintomática, algum dia).

Antes de se chegar ao diagnóstico da BO, é necessário descartar outras doenças que causam sintomas respiratórios persistentes, tais como fibrose cística, imunodeficiências, malformações e etc.  Excluídas outras enfermidades e de posse de tomografias, cintilografias e radiografias, fecha-se o diagnóstico.

Agora vamos às explicações nada técnicas, de mãe pra mãe. A BO causou uma série de lesões os pulmões da Vivi e estas lesões são irreversíveis. É como se no pulmão existissem vários pedacinhos mortos. Uma vez morto, não há recuperação. Em que lugar do pulmão dela estão as lesões? Nele todo, espalhadinhas.

É por isso que a Vitória não pode gripar. Gripando, ela entra em crise; entrando em crise, mais pedacinhos morrem; com mais pedacinhos morrendo, tudo piora.

Ler o que acabo de escrever pra vocês me dá um nó na garganta, porque não é sempre que penso com toda esta clareza sobre o que nossa filha tem.

Por mais difícil que seja lidar com isso, como costumo dizer, estamos aqui para melhor servir. Nesta madrugada a Vivi gripou e estou aqui de plantão, esquecendo inclusive que estou de repouso. É que mesmo sendo proibido, mão também adoece…

Bianca.

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Bibliografia: Pediatria do Instituto da Criança HC – FMUSP – Doenças Respiratórias, Editora Manole, 2ª edição.

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