Daniel estuda na rua, por não ter luz elétrica em casa

e o Estado brasileiro espera que todos sejam Danieis

Daniel

Nossos filhos: férias escolares.

Daniel Cabrera, um menino de 9 anos, das Filipinas: estuda na rua porque não tem energia elétrica na sua casa.

Nossa obrigação número 1: ensinar nossos filhos a serem gratos pelas mínimas coisas (mínimas porque passam despercebidas no cotidiano, mas que na verdade são coisas imensas): ter uma caminha gostosa pra dormir, o que comer, uma escola pra estudar, um colo pra onde correr ao sinal da menor ameaça, ou só por querer um carinho mesmo.

Nossa obrigação número 2: ensinar nossos filhos a serem solidários com crianças e adolescentes vulneráveis, das Filipinas e daqui deste país estranho, de políticas públicas ineficientes, que desrespeita o processo legislativo constitucional e que pretende punir como adultos adolescentes de 16 anos que são conseguiram ser focados como o Daniel.

Fico aqui imaginando (desejando) que a família de Daniel seja muito especial. Que ele esteja ali, de boas, concentrado, por mérito dele e de seus pais que, apesar de todas as dificuldades, escolhem o caminho da retidão.

Não falo de retidão bíblica, mas de retidão humana mesmo (talvez cristã). São pessoas honestas, trabalhadoras, que querem um futuro melhor, uma vida menos sofrida para o filho e conseguem, de alguma forma, passar esta vibe de esperança para o menino. Imagino que Daniel não tenha muitas opções, mas, ainda assim, segue firme e forte.

Aparentemente, o Estado brasileiro deseja que a absoluta falta de opção para uma quantidade imensa de crianças e adolescentes brasileiros não os leve a delinquir e que um raio danielizador lhes faça estudar, mesmo que não haja luz elétrica em casa, ou mesmo sem escola para frequentar.

Daí vem a nossa obrigação número 3: colocar de lado a falta de vontade de criamos nossos filhos aqui (que insiste em aparecer sempre que o Brasil demonstra não ter qualquer compromisso com a Constituição Federal, com a Democracia, com os Direitos Fundamentais) e assumir o compromisso de nos dedicarmos, de alguma forma, às crianças e adolescentes para os quais o nosso país dá as costas.

Sei que estamos correndo muito porque, ao contrário das contas dos políticos (que nós mesmos elegemos), as nossas se pagam com muita dificuldade. Mas, ainda assim, precisamos tomar as rédeas da situação: por nós, pelos nossos filhos e pelos filhos de várias gerações que há tempos não têm opções. Como? Ainda não tenho a menor ideia.

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