Empoderamento paterno: queremos!

Paternidade conveniente: somos contra.

Pai e filho 1
Papai, você não precisa ser deuso assim para slingar…

Na sala de espera de uma clínica, uma criança nebulizava no colo da mãe. Claro que eu e esta mãe conversamos bastante, enquanto esperávamos para fazer a tomografia dos nossos filhos: o dela tem fibrose cística; a minha uma doença pulmonar que oportunamente contarei para vocês.

O pai da Vitória estava a caminho, para acompanhar o exame; o pai do menino já estava lá, lendo os termos de responsabilidade que antecedem a realização do exame e consultando a mãe para obter cada informação que necessitava ser preenchida.

A outra mãe: – O pai acompanha sempre?
Eu: – Normalmente, sim. A não ser que haja algum compromisso inadiável no trabalho.
A outra mãe: – Quando ela está no hospital, ele fica com ela?
Eu: – Fica para que eu coma alguma coisa, saia um pouco do hospital… Dá o café-da-manhã dela, o almocinho, brinca, conta história…
A outra mãe: – Passa a noite?
Eu: – As noites são minhas.
A outra mãe: – O meu marido também não aguenta.

Na última internação da Vivi, no leito ao lado da UTI havia um bebê, acho que de 9 meses. Ele estava com pneumonia e a mãe teve que sair do “plantão” porque a filha mais velha estava sendo atendida na emergência. O bebê não parava de chorar.

– O pai, sacodindo o filho: – Calma, vai passar. Por que você não quer a chupeta?
– Eu: – Ele está com o nariz congestionado e não consegue ficar com a chupeta na boca. Quer que eu chame a enfermeira para aspirar?
– O pai: – Para o que?
– Eu: – Para tirar o catarro do nariz dele.
– O pai: – Sim, por favor.
– Eu: – Ele também pode estar com fome. Ele já toma leite ou só mama?
– O pai: – Não sei.

Nas redes sociais acompanhamos Marina, Pedrinho, Sofia… E tantas outras crianças que, em 95% das fotografias, aparecem com as suas mães.

Onde estão estes pais? Trabalhando? Eu também trabalho.

Onde está escrito que é somente a mãe quem deve acompanhar o filho doente? Com certeza no coração da mãe, que não se importa de esquecer de tudo, inclusive dela própria, para estar com o filho. Mas o que está escrito no coração desses pais? Que vai passar? Que não é tão grave? Que não consegue cuidar tão bem como a mãe? Que criança doente só quer a mãe?

Papais, sadios ou dodóis, os filhos querem tanto as mães quanto vocês. E vocês, querem o que?

Não é crítica; não é a afirmativa vã de que todos os pais do mundo não fazem o seu melhor.

É o desabafo de uma mãe exaurida que conta e MUITO com o pai da filha que requer cuidados especiais.

É a minha solidariedade às mães cujos companheiros não sabem responder o que o filho bebê come, ou que não conseguem preencher um formulário porque não sabem qual a medicação de uso contínuo da criança, nem quanto ela pesa e mede.

Por um mundo com mais pais acompanhando a recuperação do filho na UTI; sabendo de cada detalhe do corpinho da criança; informando de quanto foi a febre; segurando a mãe da cria nos exames doloridos; não fechando os olhos nos exames de sangue; correndo de médico em médico em busca de umas 20 segundas opiniões; pesquisando dia e noite na web sobre protocolos alternativos de tratamento…

Por um mundo onde não só os pais de Hollywood slinguem por aí…

Por um mundo onde a mãe de um filho que requer cuidados especiais possa respirar.

Bianca.

bianca@naoeamamae.com

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