Eu andei (e mordi minha mãe)!

Vivi caminhadora

Que eu tô com asma todo mundo sabe, né? Talvez vocês não saibam que além da asma, tá rolando uma parada no meu ouvido. Cada coisa que me aparece, viu? Tive febre e tudo.

Só ouvi Mamaimm dizendo: “Mário Filho, essa menina tá doente há um mês! Ela não dorme, não come e eu não sei mais o que fazer! Eu não sei cuidar dela, só pode ser isso!”.

Papai (vejam que não chamo mais o coroa de Papa-papa), minha solidariedade. Sei que quando ela te chama de Mário Filho, é porque a casa caiu. #oremos

Se ela me ouvisse e se eu falasse frases completas de forma inteligível, eu diria: – Mamaimm, meu sistema imunológico precisa de tempo e eu, só do que você tem de sobra: amor e paciência. Já estou dormindo melhor e daqui a pouco pretendo voltar a comer em quantidades que lhe deixem tranquila. Hold on! Fica feliz porque eu andei, ora!

Pois é. Ontem, na sala de espera do consultório daquela senhora simpática que me cutuca, ao qual tenho sido levada quase todos os dias, dei uns passinhos e fui até o encontro da Mamaimm (ex Mamama).

Ela ficou toda feliz. Mal sabe a inocente que tô fazendo isso há tempos, só que ela não está em casa prá ver. Daí eu vi ela ligando pro Papai, prá contar dos exames que vou fazer e que andei.

Sabe o que ele disse? Que tecnicamente isso não é andar; isso é dar passinhos. Dar passinhos não é andar? Oi? Esse nível de exigência não é de Deus, viu!

Atingido este marco importantíssimo no meu desenvolvimento, pretendo voltar a encarar a vida cotidiana com mais naturalidade.

Ainda prefiro comer com as mãos, apesar de reconhecer que a aquele troço que fura comida é bastante funcional. Só não vejo graça em colocar coisas gostosas na boca sem antes esfregar em mim. Licença: na de vocês não, mas na minha idade isso é aceitável.

Esfregar comida é aceitável; morder humanos, não. Fui ver que gosto tinha o braço da Mamaimm e me dei mal. Ela pegou o meu próprio braço, colocou na minha própria boca, e disse: morda, morda! Doeu. Será que ela já ouviu falar em Conselho Tutelar?

Vitória.

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