Eu, Robin Williams e Ivete

Há uma semana Robin Williams postou no seu Instagram esta foto com a filha Zelda, para lhe desejar um feliz aniversário. Na legenda, algo como: hoje ela comemora 25 anos, mas será sempre minha. Coisas de pai.

Robin Williams

Mas ontem ele resolveu que não queria mais ficar por aqui (neste sentido apontam as investigações).

Sucesso, riqueza, glamour, família… Isso não lhe interessava mais, aparentemente.

Aí começam aquelas vozes críticas e nada solidárias a falar sobre o suicídio, sobre o quão inadmissível é não dar mais conta e pedir para sair.

Pode ser. Mas… Esse povo não sofre? Nem é fraco? Nem fica sem saber o que fazer?

Nem o espiritismo é acolhedor quando o assunto é automorrer. O cara morre, vai para um lugar punk, ruim e continua sofrendo.

A doença da Vitória foi uma revolução pra mim. Sofri profundamente. Por alguns dias foi um sacrifício conviver com ela e com o Mário. Eu não pensei em me matar, mas em ir embora. Tudo me doía e nada me deixava feliz. Sei lá se me isso foi depressão. Só sei que foi assim.

Duas pessoas me deram a mão e me sustentaram: uma que é paga pra isso (minha terapeuta) e uma que me ama de graça (meu marido).

Mário, além de me dar a mão, colocou no meu carro (o lugar oficial dos meus escândalos particulares) um DVD da Ivete Sangalo.

Ouvindo axé (que me lembra carnaval; que me lembra alegria; que me lembra como conheci Mário; que me o quanto já me diverti e fui feliz) indo e voltando para o trabalho, fui empurrando goela abaixo administrando o fato de que minha filha tem uma doença crônica que mudou a vida dela e a minha.

E mais! Por favor, não leiam alto o que vou escrever. Fui me acostumando… Mentira. Fui procurando formas de lutar contra a ideia de que ela poderia morrer ou não ter a vida maravilhosa que sonhei que ela teria.

Nem todos fazem terapia; nem todos ganham de presente um DVD da Ivete. Mas todos sofrem.

Me solidarizo totalmente com o artista de cinema que não conseguiu continuar e desejo que ele esteja sendo bem recebido no Céu (não acredito que o Dono de lá feche as portas para ele). Que sua família encontre forças e seja feliz (quando possível for).

E você, que está visitando o fundo do poço, saiba que este lugar não é só seu. Muita gente fica um tempo por aí, mas depois volta para um lugar massa, onde se consegue sofrer e ser feliz também.

Tô torcendo para que você saia dessa logo, com ou sem o DVD da Ivete.

Bianca.

bianca@naoeamamae.com

Instagram: @blognaoeamamae

No facebook: Blog Não é a Mamãe!

Em tempo: você aí que está criticando meu gosto musical… Depois que você frequentar o conservatório, estudar teoria, praticar canto e tocar piano erudito por mais de 10 anos, a gente conversa.

Comente, compartilhe! :)