Fala que eu te escuto (e te respondo)

Fala que eu te escuto 2Desde que o blog foi ao ar, recebo várias mensagens de leitoras-boadrastas, algumas desabafando acerca de sua situação familiar, outras perguntando como é a dinâmica na minha casa, tendo em vista a relação: pai x mãe x madrasta x filhos x enteados.

É comum o seguinte comentário: – Desculpe por fazer tantas perguntas, Bianca, mas é que não conheço outras boadrastas.

Boadrasta é o que não falta por aí. O que não existe é um espaço, ainda que virtual, no qual a gente possa trocar uma ideia sobre a nossa amada (e às vezes tão trabalhosa) família mosaico.

Assim, é hora de inaugurarmos uma nova seção: fala que eu te escuto (e te respondo)!

Mandem suas perguntas, comentários, desabafos e desaforos para falaqueeuteescuto@naoeamamae.com que esta boadrasta aqui vai te responder.

Costumo falar a verdade mas, se ela for muito dura, me comprometo a dar uma enfeitada para que você não desista de cara do bofe cheio de filhos (se estiverem só se conhecendo) ou largue o marido seminovo e #sigaembusca de um 0 Km.

Piadinhas características do humor de segunda-feira à parte, a real: conviver como os filhos do seu marido com outra pessoa não é impossível e pode te surpreender, por te fazer feliz.

Neste post inaugural, responderei a três perguntas de uma querida leitora que mora do outro lado do Atlântico e cujo enteado mora no Brasil.

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Você costuma ver seus enteados a cada 15 dias?

Não. Eles sempre estão lá e cá e têm trânsito livre nas duas casas. Considero este o mais saudável dos acertos, desde que os pais se entendam e as crianças fiquem confortáveis com a situação. Assim, ninguém morre de saudades de ninguém, não é verdade?

Imaginem o quanto deve ser difícil  para uma criança apenas  VISITAR o pai ou a mãe, seja nos finais de semana ou de 15 em 15 dias.

Da forma que a rotina foi estabelecida na nossa família, as crianças têm duas casas realmente. Não é perfeito, porque a rotina de cada casa é diferente e as crianças precisam se adaptar. Mas nós, adultos, estamos aqui prá quê? Dar o apoio necessário, afinal de contas, a realidade é essa: duas casas, um  pai, uma mãe, uma madrasta, uma irmã filha do pai com a madrasta…

Você sente que seu relacionamento com seus enteados mudou depois que a Vitória nasceu?

As mudanças já começaram na gravidez. Como fiquei de repouso a maior parte dela, deixei de leva-los para cortar os cabelos, acompanha-los na escola…

Eu meio que me afastei de tudo para gerar a Vivi: tanto do trabalho quanto das tarefas domésticas. Assim, o PD3 assumiu todas as responsabilidades que antes eram divididas entre nós, desde fazer as compras no supermercado até colocar os meninos para dormir.

Chamei esse afastamento inicial de desligamento. Já escrevi sobre isso aqui.

Quando a Vitória chegou não restabelecemos de pronto o convívio estreito. Como ela nasceu prematura,  ficou na UTI Neo e depois ficou em casa sem poder sair do quarto por três meses. Assim, me dediquei à caçula o máximo que pude até que a vida dela se aproximasse do normal.

Hoje está tudo bem, com ela e conosco. Gradativamente me reaproximei dos meninos e, da mesma forma que procuro ser a melhor mãe possível (dentro dos meus limites, que são muitos), também procuro ser a melhor madrasta. Às vezes me saio bem; às vezes, não.

Como é seu relacionamento com a mãe dos meninos?

Nós não temos um relacionamento.

Bianca.

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