Filhos: aquela galera que sempre quer mais

girl-clinging-to-mothers-leg
Imagem: wiseGEEK

Houve um tempo em que eu me ausentava de casa por, no mínimo, 11 horas por dia, ausência que coincidia quase que totalmente com o período em que Vitória ficava acordada. Eu trabalhava fora.

Assim, Vitória chorava quando eu saia, quando eu chegava, quando eu ia ao banheiro, quando eu saia do banheiro, quando queria dormir, quando não queria dormir… Embora eu lhe desse o máximo de atenção possível, considerando as limitações temporais, não era suficiente. Ela sempre queria mais e eu era consumida por aquele negócio que toda mãe tem, inclusive as que dizem que não têm: culpa.

Hoje sem dúvida trabalho mais que 11 horas por dia, mas com a prerrogativa de adequar meus horários, estando quase que 100% presente em tudo que é relevante pra ela (ou pelo menos que eu acho que ela acha relevante). Ela acorda comigo; dou banho; coloco a fardinha; levo à escola; pego na escola; levo ao ballet; espero a aulinha terminar ou volto para buscar; coloco pra dormir; brinco (este não é meu forte, mas eu tento); canto (também não é meu forte, mas eu gosto e ela tolera)…

Como estou mais feliz e ando mais disposta física e emocionalmente, nos finais de semana sempre tem uma programação legal para nós duas (além da programação com a família, irmãos, primos e etc). A gente conversa, inventa histórias, se curte, come brigadeiro…

Em resumo, eu faço o máximo que posso. Adequei minhas necessidades profissionais para estar mais presente e mais disponível.

Mas, pasmem… Neste exato momento, enquanto escrevo (o que é grande parte do meu trabalho), Vitória está a BERRAR na porta do escritório (que fica situado no meu quarto), porque ela QUER MAMÃE, ela QUER assistir Mickey com MAMÃE… Ela QUER respirar com MAMÃE.

E não é só isso… Ela continua chorando quando eu saio, quando eu chego, quando vou tomar banho ou quando sento pra jantar.

Óbvio que isto já foi amplamente debatido com meu ego auxiliar, que por acaso também é psicoterapeuta infantil. Os filhos sempre querem mais; nossa dedicação nunca será suficiente; e nós, adultos, somos os responsáveis por estabelecer o limite desta dedicação.

Eu, por exemplo, só sou feliz trabalhando. Acredito que quando Vivi for capaz de entender que ser mãe dela é incrível, é o melhor papel, mas apenas um deles, tudo se ajustará. Talvez ela me surpreenda e amanhã, ainda com 3 aninhos, passe a entender que não sou propriedade particular dela. Talvez demore 20 anos… Talvez ela só aprenda quando for casada, profissional e tiver filhos.

Enquanto isso, sigo fazendo o que posso, como a minha amiga Fer, que ontem recebeu esta pérola:

Fer

Fer, acho que a gente tem que se sentir super bem e chorar escondido, quando for o caso. Eles não sabem que nós não somos deles… Mas nós já sabemos que eles não são nossos, que o céu e o limite e daqui a pouco eles serão visitas na nossas casas.

Então, na Semana das Mães, desejo que eu, você e a Fer sigamos em frente. Existe vida após a maternidade; existe trabalho, romance, viagem a dois, cinema sozinha… Existe tudo. A gente só tem que se permitir.

César, seu lindo, acho que você e Vivi deveriam se conhecer melhor. De repente, né? :)

Beijos,

Bianca.

bianca@naoeamamae.com

Instagram: @blognaoeamamae

No facebook: Blog Não é a Mamãe!

Pra conversar: Grupo de Mães e Madrastas

Comente, compartilhe! :)