Keelp calm, você está grávida

Por um mundo com grávidas endorfinadas e felizes

Grávida

Conheci uma grávida com 10 semanas de gestação com tudo correndo absolutamente bem, sentindo um enjôozinho tolerável e nada mais. Estava feliz, tranquila? Não… Estava louca, instável e apavorada.

Os poucos minutos que conversamos me deram aflição. Se aquela carga imensa de ansiedade me incomodou, fiquei imaginando o quanto deveria incomodar o marido, a mãe, a sogra, as irmãs, as amigas…

Relatou que sempre que era chateada/contrariada, dizia ao marido: – Vou dizer para o seu filho; você não está me irritando, está irritando o seu filho…

Claro que ela me fez lembrar da grávida que fui. Fui uma mommy to be tão louca, mas tão louca, que durante 60 dias tomei fluoxetina. Vejam bem: nunca havia precisado tomar esse tipo de medicação. Na gravidez, precisei.

Eu me sentia completamente fora de controle. Tudo era muito. Muito eufórica; muito triste; muito cansada; muito disposta; muito corajosa; muito medrosa; muito indefesa; muito agressiva. Falando bem a verdade, acho que fui muito insuportável, isso sim, e esqueci de ser muito feliz.

Tinha tanto medo de perder a Vitória que pouco aproveitei do meu estado interessante. Tudo bem que eu estava de repouso, sangrava todos os dias, não conseguia comer bem, não podia trabalhar e ficava muito tempo sozinha. Tecnicamente, índices de insuportabilidade elevados naquelas circunstâncias era justificáveis, ainda mais se considerarmos que eu já havia perdido um bebê. Mas, ainda assim, não consigo fugir à autocrítica: o que era medo virou uma chatice sem fim.

Esta mesma chatice, somada à alguma tirania, vi com clareza na moça com a qual conversei. Ela acha que pode tudo porque está grávida. Eu também achava. Ela acha que todos (principalmente o marido) devem tolerar a sua maluquice e instabilidade. Eu também achava.

Minha cunhada está grávida do quarto filho. Está serena, feliz e se sentindo a mais abençoada das mulheres. Que eu não precise de quatro gravidezes para entender que felicidade > medo e que todas nós temos um estoque de fluoxetina natural, produzido com algumas doses de autocontrole, somadas à fé e à positividade.

Queria muito ter dito à gravidinha com a qual conversei: – Mulher, se acalme! Está tudo bem! Deixe de ser louca e vá curtir o seu bebê e o seu marido, que já já será pai do seu filho! Não desperdice este momento sendo só louca; seja louca, mas seja feliz!

Como não tinha intimidade com a moça, nada falei.

Mas pra mim e pra você, querida leitora, eu posso dizer: deixei que o medo tomasse conta e pouco curti o gerar, o ser bicho, o ser mamífera.

Se houver uma segunda chance, curtirei cada minutinho, o que inclui inclusive fazer um ensaio fotográfico (o que já esteve entre os meus TOP 5 da cafonice).

Como fui boba… Não sejam!

Beijos,

Bianca.

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