Love hurts

 

Querido diário,

Que a maternidade é uma experiência tanto desgastante quanto prazerosa a maioria de nós sabe. Mas… Sou a única que não sabia que, além do desgaste, teria que administrar, também, pavor?

Outro dia, perguntei a um amigo quando ele pretendia ter filhos. A resposta foi: estou muito preocupado com os rumos deste país; não sei se quero gerar uma criança para viver neste mundo. Pensei: que alterado! Sugiro comprimidos! Prá quê tanto fatalismo?

A Revista Crescer deste mês traz uma matéria sobre mães de crianças desaparecidas (ontem colocamos o link na fanpage). Confesso que não quis ler até o final. Normalmente evito assuntos com os quais não sei lidar.

Por ironia do destino, ou não, ontem, sem avisar, a nova babá de Vivi resolveu passear no shopping, fora do restaurante onde almoçávamos. Claro que ela não avisou; claro que ela demorou; claro que ela não atendia o celular; claro que eu mobilizei a segurança e toda a corte celestial; claro que eu dei um escândalo (por dentro); claro que eu quase morri. Encontrei as duas, mas até agora a dor de cabeça não passou.

Essa foi uma das madrugadas em que eu torci para a Vivi acordar, só para que eu pudesse colocá-la no colo e fazê-la dormir umas 8364826 vezes. E quanto às mães que não podem mais colocar os filhos para dormir?

Minha filha não desapareceu, graças a Deus. Mas crianças desaparecem. Crianças são mortas. Eu não sabia do mais recente massacre de crianças nos EEUU. É verdade: na maioria dos dias eu não sei o que acontece fora da minha casa ou do meu trabalho. Não dá tempo.

E hoje vim trabalhar com o coração apertado, não só pelo fato de ter deixado a minha filha com a mesma babá passeadora (e sem a supervisão da minha mãe, que voltou prá Fortaleza), mas por tudo o que de fato existe de ruim neste mundo e que faço questão de ignorar.

Antes que eu comece uma campanha pelo encoleiramento das crianças e pela licença maternidade eterna, me despeço deixando um beijo para:

– todas as mães;

– minha prima cuja licença maternidade acaba hoje;

– os anjos da guarda das nossas crianças, que estão sempre de prontidão;

– Papai do céu, que sempre dá um jeito de me atender, pouco importando se mereço ou não.

Pois é. Love hurts.

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