Mãe por um dia

ou PAIrindo...

Pairindo

Ontem tive um pico de pressão… Fui medicada e está tudo bem. Mas não gostei. Não gostei de adoecer, de me sentir sobrecarregada emocionalmente.

#pd3 está fazendo a parte dele: saiu com as crianças, de madrugada acompanhou a tosse da Vivi, serviu o café de todo mundo… Enfim, certamente ele acha que está fazendo o seu melhor e assumindo atividades que seriam minhas, talvez para me AJUDAR.

Eu queria, por um dia, que ele tivesse: casado com uma pessoa que já tinha dois filhos; se desdobrasse para se adaptar a esta estrutura familiar; encontrasse um lugar confortável em uma dinâmica que, vamos cominar, muitas vezes é irritante; aprendido a dividir cuidados e responsabilidade sobre tudo, inclusive sobre o que, em tese, não lhe diria respeito algum; passado a amar pessoas que não são suas, mas vieram pra você.

Queria também que ele tivesse engravidado; permanecesse de repouso durante a gestação; sentisse o bebê mexer; depois sentisse os chutes nas costelas; fizesse xixi de 20 em 20 minutos; vomitasse tudo que comia; que a única posição “confortável” para dormir fosse sentada; sentisse cólicas; entrasse em trabalho de parto; fosse sozinha para a maternidade; tivesse contrações por 4 dias; parisse; só conseguisse ver a filha após 4 dias, porque o pós parto foi punk; ordenhasse leite por dias, porque a filha prematura não podia mamar; ficasse quase vinte dias internado com a filha na UTI Neo; acompanhasse os banhos dela de torneira; observasse ela incomodada com a sonda através da qual ela se alimentava; comemorasse a primeira vez que ela pode mamar…

Levasse ela pra casa e finalmente sentisse que tinha parido; convencesse a bebê de que peito era bom; ficasse com ela por seis meses, de licença paternidade, aprendendo a ser mãe; voltasse ao trabalho e tivesse que se virar para continuar sendo uma boa profissional; dormisse com Vitória na ITU Pediátrica todas as vezes que ela precisou; adoecesse ao descobrir que sua filha tem uma doença grave; fosse demitida do emprego porque não aceitavam que você acompanhasse adequadamente sua filha, embora você continuasse cumprindo com todas as suas obrigações…

Iniciasse uma nova carreira, com medo de tudo, mas fingindo que estava de boa… Adoecesse de novo, mas deixasse tudo seu de lado porque a vida de todos tem que funcionar e você pode ficar pra depois. Se desesperasse quando a filha não quer comer ou não quer tomar os remédios que precisa; chorasse duas vezes na frente da coordenadora da escola, preocupada com a adaptação da filha; chorasse com a pneumologista, ao ouvir que a doença da filha não tem cura.

Queria que ele passasse por isso sorrindo, com o cabelo hidratado, com as unhas feitas e até com um peeling no rosto, porque não é qualquer caos que vai me fazer andar feito um judas por aí. Queria também que ele passasse por isso sem incomodar absolutamente ninguem.

Está feito o convite, Marido. Seja Bianca por um dia.

Beijos,

Bianca.

bianca@naoeamamae.com

Instagram: @blognaoeamamae

No facebook: Blog Não é a Mamãe!

Pra conversar: Grupo de Mães e Madrastas

Comente, compartilhe! :)