Mãe que é mãe e pai que é… pãe.

Coluna de estreia do Jornalista e pai de ninãs: JuanPa

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Já se aproxima o quarto aniversário do dia em que mudei meu status social e familiar para sempre. Na verdade, agora que olho para trás, sinto que só virei oficialmente uma coisa que já vinha assimilando desde pequeno: virei pai. Quando ainda namorava com Naide, e ela me disse que, de todo jeito, seria mãe aos 35 anos – acho que com o intuito de ver se me afastava de vez daquele relacionamento de ida e volta entre América do Sul e o norte da África – eu não hesitei: “bom, então eu vou ser pai” (e dons bons!). E sem falsa modéstia,  acho que até agora está dando certo. Como sei disso? Pode ser o fato de ser chamado, vez ou outra, de ‘pãe’ no entorno da nossa pequena família tenha algo a ver.

Mas o que significa para um pai ser chamado de pãe? Eu entendo isso como o trabalho bem feito. Poder executar todas as artes da mãe – ou pelo menos desenrolar –, sem perder a identidade do pai: Ser carinhoso, educador, brincalhão, porém sem perder autoridade. Reconhecer ações como dar banho, trocar cocô ou preparar as refeições das meninas como parte das minhas obrigações, e não como um aporte excepcional à família. Tentar estabelecer um patamar certo para diferenciar quando uma testa quente significa uma simples gripe ou se realmente será necessário uma visitinha à emergência em plena madrugada. Não hesitar em botar o dedo dentro da fraldinha para “a prova do número 2”, voltar com o dedo todo sujo e depois, claro, trocar a fraldinha rápido, para não dar assaduras. Isso sem esquecer que menina se limpa sempre de frente pra trás. Por fim, por que não?, saber combinar um vestido de princesa com o sapatinho certo, ou pelo menos não desistir no primeiro intento.

Como quase tudo que é importante na vida, me tornei o homem (e pai) que sou hoje a partir da minha própria minha mãe e do meu pai. Do poder de sacrifício dela, da integridade dele, da fé dela, da determinação dele, da inteligência, o respeito, a educação, o amor… Sem perceber, fui sugando tudo isso – o que não quer dizer que tenha sabido aplicar no momento devido nem com a mesma intensidade – interpretando as carências de um, as fortalezas do outro, e reproduzindo em consequência ao meu tempo.

Eu não sou a mamãe, mesmo. Porque isso seria impossível, a exceção de Arnold Schwarzenegger no filme Júnior. Porque ser mãe é algo que vem do físico, de nove meses de ser um corpo só crescendo junto – ou até, do metafísico do pós-ventre, de pessoas que nem cresceram juntos, mas se encontraram em algum momento numa simbiose de amor de mãe e filho, tema que podemos deixar para outra vez .

Felizmente, na nossa família esse papel está perfeitamente interpretado por Naide, e agradeço todo dia por Marina e Clara – e eu – por tê-la conosco. Orgulhosamente, sou o pai. Ou por diferenciar dos clichês de muitos séculos atrás, o ‘pãe’. Porque o modelo tem mudado totalmente. Porque o antigo padrão familiar pai trabalhador/mãe dona de casa desabou definitivamente nos anos 90. É hora de evoluir também no comportamento e compartilhar, até onde puder ser, as funções de progenitores. Porque mãe é mãe, mas pai também pode – e deve – ser pãe.

 

JuanPa Ausín

Formado em Jornalismo pela Escuela Superior de Periodismo y Comunicación Social de Valladolid (Espanha), passou pelos mais diversos veículos de comunicação, a exemplo dos jornais impressos Diario Palentino, La Voz de Galicia, El Telegrama de Melilla e Diario SUR, além da emissora de rádio COPE e TV Cablemel, da qual foi apresentador. Tem dedicado especial atenção à fotografia, através da cobertura de acontecimentos informativos e distintos eventos sociais ou esportivos, tanto na Espanha como no Brasil.

Instagram: @juanpausin

juanpa@aguilacomunicacao.com.br

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