O esporte e a construção do repertório motor do seu filho

Como fazer da prática desportiva um estímulo benéfico

Sabiam que crianças até os sete anos não devem praticar somente um esporte e que a esportização precoce não é benéfica?

Correr, pular e rolar no chão é muito mais importante do que ser um faixa preta de judô aos 7 anos.

Convido vocês a refletirem conosco sobre o real papel do esporte no desenvolvimento das crianças.

Beijos,

Bianca.

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Crianças corredoras

Que tipos de estímulos/ exercícios podem ajudar no crescimento e no desenvolvimento dos pequenos?

Bom… Primeiramente, é importante esclarecer que nenhum esporte específico irá fazer seu filho alongar ou encolher.

O esporte, na infância e adolescência, pode ser um meio de atividade física, mas não um fim em si.

Considerando as crianças abaixo dos 7 anos, a prática de um esporte não deve ser o objetivo dos pais e professores, por restringir as possibilidades motoras. É até os 7 anos que se constrói o repertório motor do indivíduo, de forma que quanto maior a variedade de estímulos, melhor para a criança. Assim, a criança não deve ser um atleta de natação ou um velocista. Ela deve nadar, correr, pular, jogar bola, se arrastar… E mais: a prática de uma modalidade pode ocasionar desvios posturais e sobrecargas estruturais específicas

O que fará com que a criança atinja um meio ideal de se desenvolver (de forma completa, e não só motora) será qualquer tipo de estimulo pensado e controlado para a fase de desenvolvimento em que a criança se encontra.

O menino normalmente é colocado no futebol desde os primeiros anos de vida. Caso a escolinha ou o professor utilizem apenas a modalidade como fim, a atividade será limitadora. Mas… Se o futebol for um meio, a atividade será enriquecedora, desde que se observe o seguinte:

1 – O futebol para crianças (principalmente para as menores de 7 anos) não deve ser só com os pés;

2 – A criança deve ser estimulada a “jogar futebol” em diversas posições: sentado, de cabeça para baixo, na posição de macaco, com um pé só, rolando, entre outras;

3 – O gol não deve ser o principal objetivo das atividades;

4 – Todas as crianças devem ser estimuladas a participar da brincadeira encostando na bola, por exemplo. Não se deve privilegiar os mais habilidosos.

5 – A bola é um implemento mágico; estimule a imaginação da criança ao máximo e transforme-a em diversos objetos;

6 – Já que na maior parte do tempo a bola é o centro das atenções, por que em alguns momentos não entregar uma para cada criança?

7 – Tente fazer com que a bola não seja o único objeto do desejo durante as brincadeiras. Estimule a percepção espaço-temporal fazendo com que as crianças também joguem sem o implemento;

8- Faça com que a criança jogue em todas as posições (goleiro, meio de campo, zagueiro, atacante etc) e evite a especialização precoce no esporte.

Estas considerações se aplicam a toda e qualquer modalidade esportiva, com as devidas adaptações.

Assinatura Carlos

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