O renascimento do meu parto

Renascimento do parto - O filme

Estreia hoje, nos cinemas, o filme “O Renascimento do Parto”, que questiona o modelo obstétrico atual, no qual a imensa maioria dos partos é feito por cesariana e é ordinária a ocorrência do que se denomina violência obstétrica.

Realizar qualquer procedimento sem o consentimento da mãe; proibir a entrada do acompanhante na sala de parto; realizar sucessivos e desnecessários exames de toque; negar o atendimento de alguma solicitação da parturiente; não amenizar a dor, se for solicitado: tudo isso caracteriza violência obstétrica.

Importantíssimo assistirmos ao filme. Só não sei se vou conseguir.

Sempre que o assunto é este, meu coração aperta e eu choro. Fico tão alterada que só de pensar em escrever sobre isso consegui chorar dirigindo, na volta do treino de corrida, jogando fora todas as minhas endorfinas.

Então: parto, bóra renascer lá em casa?

Fiquei dias em trabalho de parto, tentando controlar o incontrolável. Pessoal que ainda não pariu, acreditem: ninguém manda no próprio útero e muito menos em um bebê que resolveu nascer.

Com 33 semana as Vitória começou a querer nascer e fizemos de tudo para mantê-la indor. Foram muitas contrações e injeções. Eu lá, administrando a dor e tal, e o povo com cara de pânico (povo = marido, minha mãe, minha irmã, meu pai, minhas amigas). Ninguém conseguia disfarçar o medo.

A médica me disse o seguinte: enquanto você aguentar, vamos mantê-la aí. Mãe aguenta tudo, né, gente! Mas aí, mesmo sem que a bolsa rompesse, o pé dela começou a sair (desculpem pelo excesso de informação). Após quatro dias em super-mega-power intenso trabalho de parto, ela nasceu em uma cesariana de emergência. O PD3 tinha saído prá jantar!

A Vivi nasceu em uma terça à noite e só nos conhecemos na sexta de manhã. Minha recuperação da cesariana foi punk; não consegui visitá-la na UTI logo após o nascimento e nem nos dias que se seguiram.

Se o parto houvesse sido normal ou natural, as coisas seriam diferentes? Eu não sei! Uma coisa é certa: eu não tinha mais forças. Lembro que ao sair do bloco cirúrgico eu sentia alívio: porque ela estava viva e porque eu tinha conseguido. Talvez também por conta da anestesia, vamos combinar.

*pausa para choro copioso*

Wishlist para o próximo parto:

– Que não seja antecedido por quatro dias de dor e nem por uma gravidez inteira de repouso;

– Que não seja de emergência;

– Que o bebê, ao invés de ir para UTI, vá direto para os meus braços;

– Que eu possa amamentar na primeira hora;

– Que eu tenha pelo menos uma foto.

Se eu faria tudo de novo? Com certeza.

Renascimento do parto 1

Imagens: divulgação.

Bianca.

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