Pensando no diferente (que nem diferente é)

Diferente 1

Nas minhas últimas férias (que foram 100% domésticas e dedicadas às crianças) conheci, durante um passeio pela rua de casa, um rapaz que era conduzido por seu pai, em uma cadeira de rodas. Caminhamos juntos um pouco, Vivi no seu carrinho e o rapaz no dele; depois nos separamos e pude ver de longe o pai conversando com o filho, animadamente.

Ontem, ao chegar do trabalho, quem encontrei na rua? Vivi no carrinho, com minha mãe; o rapaz em sua cadeira, com seus pais. O assunto, inicialmente, foi o feijão branco que eu prepararia para o almoço do dia seguinte, que causou indignação porque não levaria pimentão (que é o vegetal do capiroto, lhes asseguro). Depois, falamos sobre os nossos filhos.

Vitória, que estava no meu colo, olhou para o pai do Davi (nome fictício do rapaz de 35 anos) e se jogou para os braços daquele vovô. E que vovô aquele senhor seria! Do modelo do Juca Kfouri, por certo! Com muita doçura, enquanto brincava com um bebê estranho, teceu elogios à esposa e contou que seu filho gosta de soprar velas do bolo de aniversário.

Como o dever me chamava, encerrei o passeio. Voltei  prá casa metade pensativa, metade emocionada. Nem sei se consigo narrar de maneira precisa o que me marcou naquele encontro cotidiano, mas foi algo em torno disso: filho é filho; um pai sempre conversa com seu filho, não importando se haverá uma resposta verbal; cuidar dos filhos é um sacerdócio, que mistura amor e sacrifício, seja ele especial ou não; tudo o que provém das nossas crianças é grandioso, inclusive o assoprar de uma vela.

Foi compartilhada na TL do FB a imagem abaixo (fonte: fanpage Eu Amo Minha Vida). Mas dizer que eu gostaria que no parque houvesse um balanço assim para o Davi  é simplório, é pouco, é muito aquém do que todos os Davis merecem receber de nós e do Estado.

Desejo que o diferente seja normal; desejo que o mundo saiba tratar o diferente; desejo que as crianças aprendam desde cedo a lidar com o diferente e que percebam que nem é tão diferente assim; desejo saber o que responder quando a Vitória vier me perguntar por que o Davi não fala.

Bianca.

bianca@naoeamamae.com

 

Diferente 2

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