Tenho duas casas

Eu tenho, #PD3 tem, os meninos têm...

Pessoas, li o livrinho Tenho duas casas, escrito por Cristina Von (que por acaso está de promoção nas Americanas).

O livrinho era para ler junto com meus enteados, mas resolvi dar uma olhada antes e, para minha surpresa (ou não), chorei horrores (ainda bem que li antes sozinha!).

Filha de pais separados, a leitura me fez reviver momentos que eu achava que haviam ficado prá trás. Meu pai saindo de casa (umas vinte vezes), minha mãe chorando (umas 246574265742658726 vezes), um falando mal do outro (falam até hoje), brigas (das quais eu tinha pavor), descontrole, instabilidade… Como muitas crianças, vivi todas as facetas de um desenlace. Abrindo meu coração prá vocês: foi tão difícil que eu sequer pretendia me casar. Aliás, gostar de alguém verdadeiramente nunca esteve nos meus planos.

Talvez meus pais até achem que me pouparam, mas não rolou. Mais novinha, negociei com Deus várias vezes para que o casamento deles fosse feliz. Mas… Também não rolou.

Por esta e por várias outras razões, um dos meus grandes propósitos sempre foi poupar os meus pequenos enteados. Às vezes a tensão entre o papai e a mamãe é bastante grande e nós, madrastinhas boas, podemos funcionar como… Um “porto seguro”? Um lugarzinho no qual a criança sente conforto e segurança?

Nesse aspecto, minha empatia com os meninos se aproxima a 100%. Em várias circunstâncias eu sinto exatamente o que eles sentem. As dificuldades de ter duas casas; a tristeza de saber que o papai e a mamãe não estão juntos; as diferenças estruturais de cada casa…

Não desejo que meus lindões pequenos presenciem o que eu presenciei, tenham os medos que eu tive e cultivem uma culpa da qual ainda não me livrei: culpa por meus pais não estarem juntos. Vejam bem: sou adulta, terapeutizada, vivo um casamento feliz, mas até hoje sinto culpa pela separação dos meus pais. Como pode? Também não sei.

Pergunto a vocês, madrastas e papais: vocês já pararam para pensar o quanto é duro para os pequenos saberem que os pais não se gostam mais? Ter duas casas? Ver que o papai está namorando? Imaginam o medo que dá saber que o papai vai ter outro filho?

É nossa OBRIGAÇÃO criar um ambiente de harmonia e deixar bem claro para os pequenos que o vínculo deles com o papai e com a mamãe é inabalável. Eles são e continuarão sendo incondicionalmente amados. E mais: todos (papai + madrasta + mamãe) estão juntos para cuidar e prover.

Vamos nos empenhar para que nossas crianças sejam felizes e se tornem adultos saudáveis.

De traumatizada, basta eu! : )

Amanhã leremos o livro juntinhos. Pretendo não chorar.

Beijos,

Bianca.

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